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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Falando Sujo: Goût de Terroir

por: Roxana Villa

É com enorme przer que eu apresento Roxana Villa - artista, professora e perfumista - como nova colaoradora do Fragrantica. Eu conheci Roxana em 2007 num evento de fragrâncias em Beverly Hills e fiquei impressionado com o conhecimento, criatividade e originalidade que ela deu a suas criações botânicas fragrantes em Illuminated Perfume. Desde então eu me apaixonei por seus perfumes refinados, consistentes e tradicionais, amavelmente feitos com fontes éticas; seu Chaparral, "Uma fragrância com tema de incenso dedicada aos Índios Americanos Nativos California e ao espírito Cowboy,"  é um dos meus faoritos. Arrancamos sua coluna "Falando Sujo" com uma exploração da terra que produz o aroma. Desfrutem!
- Dr. Marlen Elliot Harrison, Editor Executivo

Goût de Terroir significa Taste of the Earth, é uma frase francesa que se refere ao vinho e aos aromas trazidos pela terra em que a videira cresce. O termo tem sua origem nos anos 1700 e foi usado extensivamente para o marketing mais tarde nos anos 1800. Ainda que especificamente relacionado com o sabor da terra absorvida pelas raízes da videira, é mais uma referência aos aromas do terreno onde está a planta. Por exemplo, se cultivar a mesma planta em duas partes diferentes do mundo o vinho das duas videiras conseguirá diferentes sabores dependendo de haver ou não árvores de fruto ou um rio por perto. Outra forma de ver isto é a forma como os elementos que rodeiam uma planta influenciam no aroma, não apenas a terra mas também o fogo (sol), ar (vento) e água (chuva).
Tive conhecimento do Goût de Terroir, não através do vinho mas através do estudo dos óleos essenciais enquanto estudava aromaterapia. Um óleo essencial de lavende da mesma espécie e variedade cultivada em França terá um diferente perfil aromático do que uma cultivada ao longo da costa Sul da Califórnia. Os 100 ou mais componentes químicos que constituem o óleo mudam de acordo com as condições onde é cultivado, assim impactando o aroma.
Durante anos tenho usado um oud do Cambodja para meus perfumes e acordes que me chagou através de um amigo na indústria no início de minha aventura aromática desde a aromaterapia ao perfume. Esta pequena gema do Cambodja foi eventualmente toda usada e por isso mudei para um agarwood obtido no Laos. Oud e agarwood são nomes que mudam para um óleo que vem de uma espécie de árvores na Ásia conhecidas como Aquilaria. Esta preciosa madeira tem múltiplos nomes; além do oud e agarwood já vi chamarem ud ou aloeswood. A primeira vez que soube desta essência foi num artigo escrito por Jan Kusmirek que apareceu na Aromatherapy Quarterly e meados dos anos 1990.
Uma vez que os aromas das essências de espécies diferentes e tipos de extrações são tão variadas e podem mudar dependendo das condições ambientais (Goût de Terroir), misturar perfumes botânicos para serem consistentes pode ser um desafio. De fato, é uma das razões pelas quais as grandes casas de perfumes se viraram para os sintéticos durante a revolução industrial. Junto com um aroma consistente e estável estes laboratórios criaram moléculas que são substancialmente menos caras e oferecem uma extrema longevidade. O resultado destas qualidades em componentes aromáticos lançou o perfume como uma indústria mundial como a conhecemos hoje.
Um novo desafio que apareceu no horizonte nos últimos anos para aqueles que trabalham com óleos essenciais raros e autênticos é o crescente interesse na aromaterapia, sobretudo como resultado do marketing Multilevel, que criou uma procura por variedades específicas com análises em vez do país de origem. 
Por isso, em vez de procurar uma verdadeira lavanda crescida a alta altitude como a Lavanda angustfolia da França, os componentes químicos dentro da lavanda se tornaram mais interessantes. Por isso o que se torna mais interessante para as grandes companhias e seus consumidores é um óleo essencial de lavanda que pode ser uma mistura de lavandas cultivadas em várias áreas mas com um aroma consistente e análise química. Esta atitude redutora resulta numa homogenização de óleos essenciais.*
Como humanos, tendemos a procurar consistência e permanência, ambas qualidades dos elementos da terra, a tarefa para nós é incorporar também o fogo, o ar e a água nos nossos valores para que preservemos a variedade na nossa paisagem. Tal como podemos apreciar um copo de riesling de 2007 crescido numa encosta perto do rio Mosel na Alemanha, também sabemos que no ano seguinte o vintage irá variar devido à chuva.
Entretanto, como resposta à globalização, ao corporativismo e à homogenização da arte temos um crescente número de fazedores especializados em tecelagem artesanal, queijos artesanais, cervejas, adegas e perfumes.
A natureza não é consistente e apesar de eu trabalhar em direção à consistência como perfumista, por vezes a mãe natureza tem um plano diferente. Brindemos a nossa aventura aromatica e a todas as voltas que nos mantém em tensão enquanto ainda estamos plantados aqui no planeta Terra.

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