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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Rance 1795 Hortense and Heroique

by: Sandra Raicevic Petrovic

The French house of Rance 1795 presented two new fragrances expected on the market in January 2015, which belong to the Imperial collection. Men’s fragranceHeroique represents the spirit of the man who wants to leave the trace. The spark of his success is depicted in notes of the composition. Women’s edition Hortense is dedicated to daughter of Queen Josephine from her first marriage – mother of future Napoleon III. Jeanne Sandra Rance wanted to "express the honor to Napoleon, who contributed to the history of Rance, giving it a great significance".
Fragrance HEROIQUE of the collection Rance 1795 "was inspired by Napoleon, a great man of the history, who had enormous effect on art, including perfumery of the time". Sandra Rance’s wish was to present a modern fragrance for men to reflect the strength of the strongest emotions and feelings. Graphic design connects and accentuates liveliness and strength with its bright colors. Composition of the fragrance opens with vibrant notes of bergamot and black currant, ensuring luminosity and liveliness to the perfume. They are followed by a harmonious blend of jasmine and patchouli resting on bourbon vanilla and teak wood providing the charm of East.
apple, pineapple, bergamot, black currant
jasmine, rose, patchouli, birch
amber, vanilla, oak moss, teak wood, white musk
Women’s fragrance HORTENSE is inspired by beauty, seduction and intelligence of Hortense, daughter to Marquis Alexandre de Beauharnais and Rose Tascher de la Pageri, later known as Josephine. She had light blue eyes and blond wavy hair and liked to perfume it with Dutch floral fragrances and spices of the East, which she adored. Late on, she became the Queen of Holland and she won people’s hearts by simplicity and grace. In 1810 Jean Rance name done of his fragrances after her, interpreting her taste and celebrating her beauty and herself. Sandra Rance wanted that the collection Rance 1795 presents a fragrance dedicated to her, created in contemporary way, leaving a breath of old times. Opening of the composition blends luminous grapefruit with cardamom and pepper, depicting her love of spices. Floral choir of roses blended with cinnamon and incense bring a breath of the East, while cedar, mahogany and vanilla characterize a precious scent in the base. 
HORTENSE

bergamot, cardamon, pepper
rose, cinnamon, incense
cedar, mahogany, vanilla
Men’s fragrance will be available in flacons of 50 and 100ml Eau de Toilette, while women’s version Hortense arrives as 50 and 100ml Eau de Parfum.

Source: Rance 1795 press release

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

LALIQUE - Transformando perfumes em Jóias ou Transformando Jóias em perfumes?!

Cada peça única e preciosa da renomada e tradicional marca francesa LALIQUE, quer seja uma jóia, uma taça, um frasco de perfume ou uma garrafa, é projetada, soprada, prensada, cortada, gravada e polida pelos melhores mestres de cristal que o mundo já conheceu. Por todo esse cuidado, cada peça traz inovação e peculiaridades originais da marca, responsáveis pela transmissão da sensibilidade que faz da LALIQUE um ícone do luxo.


A história
O joalheiro e vidreiro René Jules Lalique nasceu em 1860 na pequena cidade de Ay, na região de Champagne, na França. Filho único de um vendedor de miudezas, ele venceu seu primeiro concurso de desenho aos 11 anos de idade, e aos 16 começava a estudar ourivesaria em Paris. Dois anos mais tarde, mudava-se para Londres dando prosseguimento aos seus estudos na escola de arte Syndenham. Mais dois anos, com o fechamento da escola, ele voltou a Paris, passando a fazer um curso de escultura. Em 1881, decidiu começar a trabalhar como joalheiro independente para marcas famosas e tradicionais do setor como Boucheron e Cartier, tornando-se assim conhecido e respeitado como um exímio criador do estilo Art Nouveau. Suas experiências iniciais com trabalhos em vidro, que afinal iriam consagrá-lo mundialmente, começaram em 1893. Data desse ano o primeiro frasco de perfume criado por Lalique, no formato de uma lágrima, feito em uma fôrma de pão no fogão de seu ateliê.

Dois anos depois, depois de assumir o negócio de seu antigo patrão, Jules Destapes, ele fundou na capital francesa a joalheria que levaria seu sobrenome, criando jóias encantadoras para famosas personalidades da época, como o engenheiro Calouste Gulbenkian (que acabou criando um museu em Lisboa para homenagear e expor as obras do senhor Lalique) e a atriz Sarah Bernhard. Nesta época suas peças normalmente remetiam à fauna e à flora, principalmente insetos, que era o seu forte, e utilizavam materiais não muito comuns para a joalheria na época, como vidro, couro, marfim e esmalte. Em 1890 já era reconhecido como um dos desenhistas de jóias mais importantes da França, criando peças inovadoras para a tradicional e chique La Maison de l'Art Nouveau de Samuel Bing.

A Exposição Universal, realizada em Paris em 1900, projetou-o internacionalmente com seus broches e escovas para cabelo, mas foi apenas em 1906 que aconteceu o encontro que faria dele o grande mestre dos frascos de perfume. Na época, tanto a loja onde ele vendia seus produtos quanto à perfumaria Coty estavam localizadas na mesma rua, em endereços contíguos, nos números 23 e 24. Francis Coty, então uma espécie de rei dos perfumes, pediu ao vizinho que criasse frascos para seus aromas. O resto já é história: a parceria permitiu a criação de uma deslumbrante sucessão de peças em vidro, verdadeiras esculturas que procuraram recriar a idéia da essência que continham. Com o passar do tempo, outras associações foram sendo feitas com renomados fabricantes de perfumes como Guerlain, Lubin, Molinard e Roger et Gallet.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a fábrica de vidro da empresa, construída em 1909 na cidade de Combs-la-Ville, foi totalmente fechada e adaptada para produzir material médico. Ao final do conflito, em 1918, não contentando-se em apenas desenhar seus modelos, ele construiu também a segunda fábrica de vidro na comunidade francesa Wingen-sur-Moder para produzir em grandes quantidades, patenteando ao longo dos anos diversos processos novos de fabrico de vidro e vários efeitos técnicos, como o satinado Lalique ou o vidro opalescente (vidros opacos associados com vidros brancos).

Foi na década de 20 que Lalique começou a fabricar uma vasta gama de objetos como vasos, relógios e luminárias de mesa em forma de estátuas. Durante a Exibição de Paris de 1925, expos jóias e objetos de luxo com novos e modernos designs, aumentando ainda mais sua reputação já consagrada e fazendo de suas peças as mais cobiçadas durante a década. Atuante também na decoração de interiores e na arquitetura, ele foi o principal defensor da utilização do vidro como objeto decorativo e funcional, com o objetivo de iluminar ambientes.

Na década de 30 a empresa cresceu tanto que foram admitidos 600 novos trabalhadores e uma segunda boutique foi inaugurada em Paris no ano de 1935. Além disso, nesta época, a marca estava presente de norte a sul da América e da Europa. Lalique morreu na cidade de Paris, no dia 5 de maio de 1945. Após sua morte, seu filho Marc, continuou a produzir vidros decorativos no mesmo estilo pessoal do pai. Em 1977, a neta do fundador, Marie-Claude, passou a comandar a empresa.

Depois de fabricar por mais de oito décadas os mais belos frascos de perfumes que o mundo já viu, a marca francesa criou seu primeiro perfume no início dos anos 90, iniciando assim uma verdadeira busca pelo líquido aromático perfeito com o lançamento de várias fragrâncias exclusivas nos anos seguintes. Foi a partir desta década que a LALIQUE iniciou a inauguração de suas luxuosas e exclusivas boutiques em grandes cidades do mundo. Em 2008, a tradicional marca foi adquirida pela empresa suíça Art et Fragrance. Recentemente a LALIQUE, em uma parceria com a renomada produtora de uísque The Macallan, criou uma maravilhosa garrafa de cristal para acondicionar o exclusivo líquido single malte com 57 anos de envelhecimento em barris de xerez. O preço da obra-prima, produzida em edição limitada chegou a US$ 15 mil.

Jóias preciosas em formato líquido
Durante 85 anos a LALIQUE esteve envolvida no segmento de perfumes. É bem verdade, que apenas como produtora de maravilhosos frascos para acondicionar os melhores perfumes das mais renomadas marcas de luxo do mundo. Ao todo, foram mais de 250 tipos diferentes de frascos únicos, coloridos e originais, criados pela renomada LALIQUE. Foi somente em 1992 que a marca francesa resolveu criar seu primeiro perfume: Lalique Pour Femme. Foi o marco inicial para a criação de verdadeiras jóias em estado líquido, aclamados hoje em dia como perfumes exclusivos e cheios de personalidade, disponíveis somente para quem pode pagar caro por um pequeno vidrinho. Os mais recentes perfumes criados pela LALIQUE são:
2002
● Lançamento do TENDRE KISS, uma fragrância com notas de pimenta rosa, peônia, noz-moscada, ylang-ylang, pétalas de rosa, almíscar, âmbar, baunilha e incenso, acondicionada em um frasco decorado por rosas que simbolizam emoção, criando uma transparência delicada e terna. Sua tampa remete a uma pedra preciosa harmoniosa e elegante.
2005
● Lançamento do FLORA BELLA, possuindo um marcante aroma que pode ser descrito como uma ensolarada fragrância floral. Uma composição extraordinária que evoca o sol, o mar e o azul do céu. Sua composição leva uma nota de saída impactante, refrescante e estimulante como a brisa do mar, com notas de bergamota, mandarina e flores de violeta.
● Lançamento do LALIQUE LE PARFUM, uma fragrância oriental e deliciosamente sedutora que possui notas de bergamota, jasmim, heliótropo, baunilha, patchouli, fava tonka e sândalo. O luxuoso cubo de vidro, moderno e único, foi inspirado na famosa “Masque de Femme”, criada por Renné Lalique em 1935.
2006
● Lançamento do PERLES de LALIQUE, um perfume moderno com uma estrutura simples que organiza as matérias-primas mais bonitas. A pimenta de uísque, nativo de Réunion, foi selecionada por suas facetas picantes e florais. Respira uma energia insolente e ardente na fragrância. O vale de rosas, na Bulgária, oferece uma das matérias-primas mais bonitas da perfumaria. A essência de rosa búlgara, intensa e sutil, traz feminilidade e generosidade ao perfume.
● Lançamento do ENCRE NOIRE, que possui uma fragrância deliciosa, imperdível e inesquecível, resultado de uma combinação de essências de vertiver, caxemira, musk e madeira.
2007
● Lançamento do AMETHYST, uma fragrância selvagem, frutuosa, floral, almiscarada e autêntica. Esta jóia em formato de perfume, nascida da pedra de Ametista, possui um frasco de cristal apresentado em uma linda caixa de jóia.
2008
● Lançamento do LALIQUE WHITE For MEN, que captura toda elegância, refinamento e sensualidade do homem moderno. Possui notas cítricas de limão e tamarindo; violeta, âmbar branco, cedro. Para seu lançamento a marca produziu 25 frascos de cristal, numerados e assinados, com um extrato da essência do perfume, vendido pelo preço de 15 mil euros.
2009
● Lançamento do ENCRE NOIRE POUR ELLE, versão feminina do famoso perfume.
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Dados corporativos
● Origem: França
● Fundação: 1885
● Fundador: René Jules Lalique
● Sede mundial: Paris, França
● Proprietário da marca: Art et Fragrance SA
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Chairman: Silvio Denz
● CEO & Presidente: Roger von der Weid
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Lojas: 44
● Presença global: 75 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 600
● Segmento: Joalheria
● Principais produtos: Jóias, objetos em cristal e perfumes
● Ícones: Os frascos de perfumes
● Slogan: Sculpteur de Lumiére.
● Website: www.lalique.com

A marca no mundo
A LALIQUE, uma das marcas mais luxuosas do planeta, comercializa cristais, jóias, perfumes e objetos de decoração (especialmente lustres e espelhos) através de 44 luxuosas lojas próprias localizadas em cidades como Nova York, Chicago, Costa Mesa, Monte Carlo, Riad, Paris, Lyon, Genebra e Xangai. Além disso, os produtos da grife também são vendidos em aproximadamente 1.200 famosas joalherias e lojas de departamento ao redor do mundo.

Você sabia?
● Lalique foi o primeiro a esculpir vidro para grandes obras monumentais como as portas do Hotel Alberto I em Paris ou as fontes dos Campos Elíseos. Além disso, a excelência das suas criações e o bom gosto que aplicava às suas obras lhe valeram ser encarregado da decoração interior de numerosos navios; trens, como o Expresso do Oriente; igrejas, como a de São Nicásio de Reims; e numerosas construções religiosas e civis.
● As obras e trabalhos de René Lalique estão expostos em mais de 40 museus ao redor do mundo.

As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

conheça os frascos de perfumes de Lalique


































domingo, 16 de novembro de 2014

Jeroen Oude Sogtoen e o Futuro da Marca Mona di Orio


por: Miguel Matos


Muitas palavras têm sido escritas sobre esta casa de perfumes, e a maioria delas fala sobre a mítica perfumista Mona di Orio, que faleceu com 42 anos em Dezembro de 2011. Mas a marca que ela fundou com seu sócio Jeroen Oude Sogtoen continua viva. Para comprovar isso, temos agora o lançamento de Violette Fumée, outra das belas criações de Mona. No futuro, a casa planeja continuar este legado com renovada alegria e força. Jeroen nos fala sobre seus planos para a marca, pois ele não quer que Mona di Orio seja uma casa de fragrâncias baseada no passado.
 
 
Violette Fumée era a fragrância pessoal de Jeroen. Ela conta sua história e apresenta suas memórias de luxo e felicidade. É quase como uma forma de conhecer as emoções e a intimidade do pai da marca. Por isso eu senti que estava na hora de falar com ele e refletir sobre o que está acontecendo antes que novos acontecimentos tenham lugar. Eis a conversa que tive com Jeroen, abordando temas desde a indústria de nicho até à perfumaria como arte e emoção.
 
Miguel Matos: Gostaria de começar por comentar a linha Les Nombres d'Or. Esta é a linha que está atualmente no mercado e que consiste em novos olhares sobre notas tradicionais da perfumaria como o âmbar, o vetiver, a baunilha, a tuberosa... No entanto, quando os testamos na pele, somos surpreendidos. Esperamos encontrar as notas que já conhecemos e identificamos tão bem e depois tudo sofre uma reviravolta...

Jeroen Oude Sogtoen: Isso era típico de Mona. Ela odiava clichés. Na coleção Les Nombres d'Or, o foco principal é, por exemplo, tuberosa ou almíscar, mas contando uma história diferente, uma diferente faceta da própria nota. Peguemos em Tubereuse, por exemplo. Toda a gente acha que a tuberosa é muito pesada. Mas na natureza, durante a noite, quando ela começa a florescer, ela tem um cheiro verde e fresco. E pouco a pouco ela se torna mais e mais pesada. Ela não gostava disso e por isso tentou criar uma “tuberosa do crepúsculo,” como ela lhe chamava. Este caráter verde faz parte da própria flor mas num estádio diferente. Esta coleção sempre tenta encontrar um desvio, uma surpresa.
 
Miguel: Em Vanille, por exemplo, eu só consigo sentir a madeira de guaiac, especiarias e algumas notas verdes ...

Jeroen: Verdade? Mas olhe que tem muita baunilha. Bom, antes de mais, Mona e eu odiamos fragrâncias de baunilha. E isso é válido também para fragrâncias de almíscar. A maioria das fragrâncias de baunilha que conhecemos, o que elas têm é vanilina, não é baunilha. Nesta coleção o ponto de partida é ter as melhores matérias-primas possíveis, neste caso o verdadeiro absoluto de baunilha. O que Mona quis capturar não foi o bolo ou o pudim. Ela tinha esta ideia do povo apanhando as vagens de baunilha em Madagáscar dentro de um barco de madeira—guaiac. E as pessoas no barco estariam bebendo rum. Por isso, tem verdadeiro extrato de rum no topo o que lhe dá um grande impacto. Quando vaporizamos, percebemos que é realmente uma abordagem diferente, porque é licoroso. E é amadeirado e um pouco fumado. Não é nada perfume de menina. Nós lhe demos uma volta. Em Musc, é claro que o almíscar é sintético. Mas o que a maior parte das pessoas faz com ele é aquela coisa pegajosa (eu lhe chamo detergente). As pessoas adoram o cheiro do almíscar barato, porque elas o reconhecem e isso lhes dá conforto. Mas para nós, isso é algo de que não gostamos de todo. Musc começa com seu principal caráter que se baseia no cashmeran. Este é um belo almíscar sintético, e ela jogou também com o neroli e a amêndoa amarga, dando-lhe um sentimento, uma emoção de inocência e pureza. Quando eu mostro às pessoas o nosso Cuir (que é um perfume muito macho e selvagem) e depois Musc, elas entendem que o perfume também é feito de sentimentos e emoções.
 
Miguel: Vosso primeiro lançamento foi a Signature Collection. Porque não foi bem sucedida? Porque vocês a retiraram das prateleiras?

Jeroen: Porque a maioria das pessoas estava completamente assustada com ela. No ano que vem faremos 10 anos. Na altura em que aparecemos, a indústria de nicho e o conhecimento de fragrâncias não estava aos níveis de hoje em dia. O que nós sempre dizemos é que as pessoas querem ser surpreendidas por algo que já conhecem. Porque quando cheiramos algo que não conhecemos, isso pode ser muito desafiador e perturbador. Outra coisa: mesmo nas melhores lojas, muitas pessoas entram e cheiram as tampas ou vaporizam algo num blotter, cheiram e decidem no primeiro minuto se elas gostam ou não. Por exemplo, com uma bela garrafa de vinho, nós não a despejamos simplesmente nos copos. Por vezes é preciso decantar primeiro. O perfume é uma coisa que apresenta desafios, e especialmente com fragrâncias como as nossas. A Signature Collection era como poesia, peças de arte. Estas fragrâncias são como viagens, elas podem se desenvolver por duas horas, mas a maioria das pessoas nas lojas de perfumes, vamos ser honestos, não está nem aí.

Miguel: Eu entendo perfeitamente o que você está dizendo. Por exemplo, eu amo perfumes vintage, e ontem eu estava usando Rumba de Balenciaga. E os aspetos que eu adoro nele só aparecem duas ou três horas depois de colocá-lo. Por isso eu tenho que esperar...

Jeroen: Miguel, essa é exatamente a mesma discussão interessante que eu sempre tento ter. Será que o perfume precisa ser instantaneamente gostável na sua introdução? E se você experimenta algo e pouco a pouco, dentro de uma hora, a magia aparece e a fragrância se torna maravilhosa para o resto do dia? Eu sei, isso pode ser demasiado intelectual...
 
Miguel: Mas para mim é isso que torna um perfume interessante. É como uma obra de arte, uma pintura, uma música ou um filme... Temos que esperar, ouvir ou olhar e testemunhar o desenvolvimento.

Jeroen: Por vezes é preciso ouvir dez vezes. Como um vinho ou uma ostra, por vezes é preciso provar várias vezes. Pode ser preciso partilhar com alguém sua paixão e tentar explicar o que sentimos. Especialmente agora, recordando as viagens que fizemos, consigo ver que nossa primeira coleção é feita de peças de arte. Elas eram tal como aquilo que você acabou de falar acerca dos vintages. As fragrâncias vintage eram muito mais complexas, animálicas, profundas e desenvolviam muito mais. Mas seriam elas interessantes para a maioria das pessoas ao ponto de as comprarem? Hoje o mundo está diferente. Hoje a maioria das pessoas cheiraria o Chanel Nº5 original e ficaria chocada. Há pessoas que consideram o perfume como algo “interesante,” mas existem as companhias e as marcas também, e é preciso vender. A diferença é esta: as pessoas quiserem realmente conhecer as fragrâncias e a arte, aceitando o desafio de descobri-las e programar seu cérebro, são uma coisa diferente do consumidor em geral. Com um pouco de sorte, o mercado de massas foi tão longe com o “gostável” que cada vez mais consumidores já não acham isso interessante e procuram outra coisa.
 
Miguel: Talvez seja essa a razão pela qual a perfumaria de nicho é um negócio em crescimento, enquanto as vendas no setor mainstream estão estagnadas.

Jeroen: Sim, mas sejamos honestos acerca disso. É por isso que eu já não falo mais de nicho—O que é nicho?
 
Miguel: Por vezes é apenas um preço elevado.

Jeroen: Muitas vezes não só é um preço elevado, como tem também uma grande companhia por detrás, às escondidas, criando uma marca de nicho, posicionando-a muito cuidadosamente, mas é isso que faz ela ser nicho? É uma transição para um preço mais elevado mas virá isso também com a credibilidade do próprio perfume?
 
Miguel: Eu penso que isso tem a ver com a educação do consumidor. As pessoas têm cada vez mais acesso a mais informação e finalmente (assim espero) elas se acostumam mais com perfumes de qualidade.

Jeroen: Eu não digo que isso seja mau, mas aquilo que antigamente era o mercado de massas está mudando, crescendo para o segmento de nicho. Existe um elo perdido entre isso e as fragrâncias artesanais. Foi por isso que criámos Les Nombres d'Or, também. Antes disso nós tínhamos amantes e inimigos. Algumas pessoas eram realmente fascinadas com nossas fragrâncias, mas a maioria simplesmente não estava preparada para o tipo de cheiros como os da Signature Collection. Mona amava os ingredientes animais e ela foi educada de uma forma muito diferente por um velho mestre, Edmond Roudnitska. Bem, pouco a pouco você tem de começar se educando e nem toda a gente está interessada em arte e poesia ou na longa estória do desenvolvimento de Amytis ou Oiro.
 
Miguel: Então, Les Nombres d'Or representa uma transição do mercado de massas para o nicho, querendo educar as pessoas, começando com um conhecimento comum e depois introduzindo elementos invulgares. Eu sei que você se está preparando para reintroduzir a Signature Collection no mercado. Acha que finalmente está na hora?

Jeroen: Talvez para o ano que vem.
 
Miguel: Acha que agora as pessoas já estão preparadas?

Jeroen: Honestamente, espero que sim. Mas eu não sei. Para mim é o legado da casa. Esses são nossos primeiros filhos e eu acho que eles não são nada complexos. Até mesmo Nuit Noire, as pessoas acham que é demasiado animálico, mas eu o uso de manhã! Porque eu os conheço, meu cérebro os entende. Eles são belas peças de arte mas eu não posso esperar que eles sejam muito comerciais porque não é esse o objetivo desta coleção. Isso é algo que eu tenho que pensar muito cuidadosamente.
 
Miguel: Estamos falando do passado e do futuro, mas no presente você acaba de lançar Violette Fumée. Este é um perfume que Mona criou especialmente para seu uso pessoal, com suas matérias-primas favoritas. Pode descrevê-lo e contar-nos porque ele é tão precioso?

Jeroen: Tudo começou com minhas mamórias de infância, meus gostos, minha definição de luxo e minha vida anterior como designer de moda. Como a mamória de meu pai fumando cachimbo: para mim esse é o cheiro do conforto. E a violeta, para mim, representa o luxo. Eu me lembro, há muito tempo, quando eu estava num hotel muito luxuoso, e eles vaporizavam tudo com violetas. Até o papel higiénico tinha cheiro de violeta, havia pó de talco com perfume de violeta... No meu cérebro, este cheiro era a ligação ao luxo. E eu queria também a sensação de uma grande camisola de caxemira. Quando eu era um jovem estudante eu trabalhei com um costureiro muito chique e ele sempre cestia estas grandes, muito caras camisolas de gola alta em caxemira. Então eu pedi a Mona, “Você pode capturar esta sensação?”—a caxemira e a camurça. Eu quis também uma abertura clássica. Para mim é muito estranho quando as pessoas dizem que a lavanda é antiquada. De fato, quando elas encontram esta planta elas a apertam nas mãos e quase toda a gente adora isso.
 
Miguel: Eu não diria que a lavanda é antiquada, mas pode ser um cliché ...

Jeroen: Mas como é que um ingrediente natural pode ser  cliché? Há algo de errado. Eu não conheço uma única pessoa que não goste de esfregar lavanda nas palmas das mãos. Eu disse a Mona que queria lavanda nas notas de topo. Eu queria uma coisa clássica, e também a sensação de colocar after-shave no rosto com as mãos. Eu quieria também bergamota e sálvia no topo. Sálvia é algo que eu sempre tenho junto à cama. É muito pessoal e precisava estar em minha fragrância. Amo esse cheiro e é simbólico, ele limpa os maus espíritos. Quando nós viajámos para a Grécia nós fomos a uma igreja grega ortodoxa e eu disse a Mona, “Oh, este cheiro de mirra, você tem de colocar algo disso.” Está nas notas de base. Algumas pessoas dizem que é um cheiro melancólico mas para mim é misterioso. Eu também gosto muito de florais na pele de um homem. Na minha opinião isso é também um desafio porque nós todos estamos programados para achar que os homens não devem cheirar a flores, o que é errado. E por isso temos violeta e rosa.
 
Miguel: É o seu mundo pessoal dentro de um frasco?

Jeroen: Sim.
 
Miguel: Há quanto tempo está usando Violette Fumée?

Jeroen: Quase seis anos.
 
Miguel: E porque decidiu partilhá-lo agora, lançando-o no mercado?

Jeroen: Porque é demasiado precioso e belo para guardar só para mim. Se Mona ainda estivesse viva eu não o partilharia. Mas agora eu sinto que é ridículo guardá-lo só para mim.
 
Miguel: Quando cheiramos Violette Fumée, estamos conhecendo uma parte de si?

Jeroen: Sim, mas isso só acontece porque eu lhe dei essa informação. Eu acho que toda a gente criará sua própria estória e é essa a beleza da fragrância.
 
Miguel: Tal como quando olhamos para uma peça de arte. Uma pintura, por exemplo: podemos observá-la e tentar percebê-la, mas se conhecermos o artista e de onde ele vem, seu contexto social e artístico, teremos toda uma bagagem de significados, que nos tornam capazes de compreender seu trabalho mais profundamente.

Jeroen: Nas boas fragrâncias, pode ser maravilhoso quando temos alguém nos guiando com quem podemos partilhar nossas palavras. Quando estamos com um ouvinte experiente de música clássica, ele pode nos guiar para ouvirmos uma nota específica que poderíamos nunca escutar se não nos dissessem. Violette Fumée foi criado no período em que tínhamos a Signature Collection. Les Nombres d'Or nem sequer existia. E as pessoas que conheciam nossa linha anterior, quando elas cheiram Violette Fumée elas dizem, “isto é tão típico de Mona!” Todos eles são, mas este é como contar histórias. Eu sempre preferi ficar nos bastidores da companhia. Mona era o rosto da marca e eu criei a marca em torno dela, por isso esta é uma boa forma de falar sobre mim.
 
Miguel: Você é o pai da companhia, por isso planeia em se tornar na imagem da marca, tal como Mona era?

Jeroen: Desde o último ano mue rosto está no website e eu nunca fiz isso antes. Por isso eu me vejo como um embaixador da marca.
 
Miguel: Mona di Orio não é só Mona, é você.

Jeroen: É a minha vida. Quando Mona morreu, as pessoas perguntavam, “O que você vai fazer agora?” E eu perguntava: você perguntaria isso a um pai que perdeu sua esposa? Será que ele negligenciaria seus filhos? É claro que não! Mona era a perfumista e eu a tornei o rosto da marca. Eu não achei muito interessante falar sobre mim, por isso criei a marca à volta dela. Cada fragrância nadceu porque nós estávamos juntos num pequeno barco quando vimos uma pequena neblina na superfície da água e uma ervas verdes. Nós quisemos capturar esta sensação. Por isso começámos a sintetizar e tudo foi um processo contínuo. É claro que eu não sou um perfumista e nunca serei porque não tenho essa formação e não é minha ambição.
 
Miguel: É como se Mona fosse a artista e você o curador?

Jeroen: Sim, é quase isso.
 
Miguel: Após Violette Fumée e o relançamento da Signature Collection, quais são seus planos para Mona di Orio?

Jeroen: Bem, o relançamento acontecerá passo a passo. No próximo ano relançaremos Lux e Nuit Noire. Depois, é claro, temos de começar trabalhando em novas fragrâncias. Porque eu acredito que temos de continuar, ou então fechamos a companhia. Fechar não é uma opção para mim. Penso que é crucial não nos tornarmos numa marca de memórias. Não quero ser uma marca que só se foca na memória, na tristeza, na melancolia... isso não sou eu. Eu sou uma pessoa criativa por isso já comecei trabalhando naquilo que eu quero que seja nossa próxima fragrância. Posso lhe dizer que haverá uma nova coleção.
 
Miguel: Já está procurando um novo perfumista para trabalhar com ele?

Jeroen: Estou começando, sim. Para mim era tão óbvio trabalhar com Mona que agora eu tenho que começar de novo minha própria linguagem. Primeiro tenho que encontrar alguém que entenda os fundamentos de nossa casa e a estrutura da companhia. O legado de Mona é muito forte e eu sempre digo: não iremos reproduzir uma fragrância de Mona. Isso nunca acontecerá.
 
Os perfumes Mona di Orio estão disponíveis no website oficial da marca, com envios para todo o mundo. Imagens cedidas por Jeroen Oude Sogtoen

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Burberry - O XADREZ QUE CONQUISTOU O MUNDO




é uma famosa marca de luxo da moda britânica, que é famosa por seu padrão de básico de marca registrada, um padrão de xadrez que apresenta listras em preto, branco e vermelho sobrepostos sobre um fundo bege. A marca tem evoluído ao longo do século passado a partir de um simples fabricante de roupas ao ar livre para um esteio da moda high-end, popularizada por celebridades e realeza. Burberry bolsas, casacos, cachecóis e até Burberry 

é uma famosa marca de luxo da moda britânica, que é famosa por seu padrão de básico de marca registrada, um padrão de xadrez que apresenta listras em preto, branco e vermelho sobrepostos sobre um fundo bege. A marca tem evoluído ao longo do século passado a partir de um simples fabricante de roupas ao ar livre para um esteio da moda high-end, popularizada por celebridades e realeza. Burberry bolsas, casacos, cachecóis e até guarda-chuvas estão entre os itens da moda esportiva assinatura Burberry..

História

A história da Burberry começou em 1856 quando Thomas Burberry, 21 anos de idade na época, abriu sua própria loja em Basingstoke, Hampshire, Inglaterra. A empresa focada principalmente em veículos pesados tempo todo-roupa ao ar livre, produzindo roupas com sua tecnologia patenteada de gabardine próprio tecido, que é um tecido durável resistente à água que Burberry patenteado em 1888. Ninguém poderia ter imaginado no momento em que uma marca tão prático como Burberry um dia se tornaria um exemplo da alta moda.Devido á praticidade da gabardine, em 1895, Thomas foi chamado pelo exército britânico para desenvolver um casaco para os oficiais, que seria o antecessor do trench coat (casaco de trincheira). Era o surgimento da famosa capa de chuva, adaptada ao estilo militar.


Em 1911, equipado com casacos desenvolvidos pela BURBERRY, o explorador norueguês Roald Amundsen se tornou o primeiro homem a cruzar o Pólo Norte. Pouco depois, em 1914, a marca foi comissionada pelo escritório de guerra para adaptar o antigo casaco dos oficiais para combate. Adicionou eqaulettes e argolas em forma de “D”, e ali nascia o verdadeiro trench coat, um casaco extremamente quente e resistente. Nos anos 20, o tecido xadrez (bege, preto, vermelho e branco), introduzido em 1924 e logo depois patenteado, que é marca registrada da BURBERRY, foi criado e usado no forro desses casacos. O trench coat, forrado com tecido xadrez, ganhou as ruas, se atrelando cada vez mais a um conceito de elegância, que vestiu de políticos a estrelas de cinema, como quando foi utilizado pelos atores Humphrey Bogart e Ingrid Bergman no filme Casablanca. Em razão da importância da marca no mercado britânico (e mundial), em 1955, a BURBERRY foi condecorada com uma Royal Warrant (uma menção honrosa dada a comerciantes e marcas), pela majestade Rainha Elisabeth II. Também neste ano, a marca foi comprada pelo grupo Great Universal Stores (GUS).


A marca começou sua internacionalização somente na década de 70, quando uma loja âncora foi aberta em Manhattan. Mas nem tudo foi glamour na história da tradicional marca britânica. Na segunda metade do século XX, a marca em si ficou perdida no acelerado mundinho fashion e relacionada a um público acima de 50 anos. A clientela da marca BURBERRY dividia-se entre velhinhas de bochechas rosadas e turistas japoneses de passagem pelo Reino Unido. As lojas mais sofisticadas nem sequer tinham estoque dos seus produtos e a empresa parecia condenada a uma caretice eterna. Mas, a reviravolta começou em 1997 quando a empresa GUS (que detém a maior parte das ações da BURBERRY) convidou a americana Rose Marie Bravo, presidente da tradicional loja de departamentos Saks Fifth Avenue, para ser a principal executiva da marca. A partir dali, se iniciou o processo de criação de uma nova imagem: uma BURBERRY fashion. Uma de suas principais providências foi recrutar Roberto Menichetti, ex-estilista de Jil Sander para comandar a criação das novas coleções da marca britânica.


Em 1999, ele desenvolveu uma linha de vestuário chamada BURBERRY PRORSUM (mesmo nome que aparece na bandeira do símbolo da marca), que possuía produtos com um valor um pouco mais caro, misturando estampas e cores, sobrepondo peças, embaralhando o clássico com o novo. Outra providência da executiva foi contratar o fotógrafo Mario Testino para cuidar das campanhas publicitárias e recrutar Kate Moss, a modelo que tem a imagem mais valiosa do mundo da moda, para ser a garota-propaganda. Resultado: sem perder os tradicionais compradores, a faixa etária do público mudou de 50 para 30 anos. Ou melhor, se expandiu: agrada de avós aos netos e também à quarta geração da família, já que a marca começou a desenvolver sua linha infantil e baby. Mas o time só ficou completo em 2000, com a chegada do estilista britânico Christopher Bailey, vindo do Grupo Gucci.


Nas últimas coleções, o estilista introduziu visuais mais casuais, adicionando um fulgor boêmio à herança de design da famosa marca britânica. Contrabalançar a tradição da marca com uma estética moderna foi essencial para a consolidação da BURBERRY. É verdade que as roupas dos desfiles vendem pouco, mas serve de inspiração para as linhas efetivamente rentáveis, como a BURBERRY LONDON, coleção mais extensa e popular, que não existia antes de Rose Marie assumir a presidência da empresa, assim como bolsas, óculos de sol, sapatos, lingeries sensuais, linha infantil e até cobertor para cachorros. Além disso, linha de perfumes, jeans, camisaria e básicos produzem visuais irreverentes.


Atualmente

Nas últimas décadas, a popularidade da Burberry continuam a subir graças a celebridades como Kate Moss, que foi destaque nas campanhas da empresa de publicidade. Não é incomum ver estrelas como Sienna Miller, Elizabeth Hurley, e Jennifer Lopez segurando bolsas Burberry enquanto caminhava pelo tapete vermelho. Os caras famosas que mostraram uma afinidade com simplicidade e estilo Burberry ter ajudado a marca se tornar uma marca inconfundível de status e moda. A campanha da Burberry mais recente de um anúncio da Primavera e Verão de 2008 mostrava jovens modelos vestindo as cores mais brilhantes, que está em contraste gritante com a empresa passado a preto e branco, as campanhas mais classicamente temáticos. De acordo com o diretor criativo da Burberry, Christopher Bailey, “movimento, energia e caráter. – O espírito que define esta primavera / verão campanha publicitária 2008 Trabalhando em conjunto com um eclético, o grupo britânico e talentosos músicos, atores, modelos e esportistas de expressar uma nova atitude fresca da família Burberry.