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domingo, 16 de novembro de 2014

Tuberosa: Flor, Aroma, História e Perfume



Serguey Borisov: Caro Pierre! Fico contente por ter disponibilizado seu tempo para continuar nossa entrevista sobre matérias-primas naturais. Vou sugerir um tema: Tuberosa! Me recordo que você estava criando um novo soliflor de Tuberosa—vi e cheirei na Esxence Milano. Vamos começar por aí. Quais são as principais características do aroma do absoluto de Tuberosa? Como é seu cheiro? Verde, floral, lactónico, narcótico e…? Existem outras flores com um cheiro semelhante?
 
Pierre Benard, photo by Sophie Thouvenin
Pierre Benard: Caro Sergey, Tuberosa! Fico contente por você se lembrar de minha criação. Sua projeção espectral se passeou pelos corredores da Esxence showcase no ano passado. Se a rosa é a rainha das flores na perfumaria e o jasmim a jóia do perfumista, a tuberosa é minha musa—um assunto que eu abordo depois da conferência dedicada aos jardins no Museu Internacional da Perfumaria, escritos, fotografias e conversas com agricultores em Grasse.
 A flor e sua fragrância são difíceis de domar. Seu cheiro é rico, precioso. Sua raridade tem seu preço.
 Seu aroma floral é poderoso, mesmo intenso para um nariz delicado—você tem de ser forte. Seu espectro olfativo é grande e caleidoscópico.
 
foto de sleepyneko
O cheiro do absoluto de tuberosa é como um buquê explosivo de flores brancas.
 Sua extrema complexidade dá a ilusão olfativa de diferentes flores e seus extratos.
 Com notas verdes e narcóticas, ela se aproxima do cheiro do narciso.
 Com suas notas leitosas, emergem de seu perfil flores exóticas como gardénia, frangipani e tiaré, cujas pétalas são misturadas com óleo de côco para fazer o tradicional Monoi, o cheiro de pele sob a luz do sol.
Estas notas exóticas combinam com especiarias frescas.
O absoluto de tuberosa contém ácidos gordos (palmítico, linoleico e linolénico), moléculas sem odor que constituem 20% do material. O ácido butírico dá ao cheiro uma nota gorda, realmente amanteigada. Sua silagem é doce, melada, como cera de abelhas ou absoluto de geneta, e sugere bolo de gengibre.
tuberosa pronta para o transporte, foto de mmmavocado

Serguey: Pode descrever os principais constituintes do absoluto de tuberosa  e a maneira mais simples de mimetizar a nota em perfume (eu acredito que o seu perfume seja bem mais complicado, por isso tornemos seu exemplo minimalista, com um número mínimo de componentes).
 
Pierre: Meu perfume soliflor é ligeiramente mais complexo, mas tem sua inspiração na arquitetura olfativa da flor. O headspace desta flor analisado pelo nariz ou por cromatografia liberta moléculas muito voláteis.
O famoso limoneno, que aparece em óleos essenciais de citrinos, é o principal constituinte do óleo essencial de laranja.
 Existe um odor tipicamente medicinal, farmacêutico até, facilmente identificável, como o eucalyptol (cineol) e especialmente o salicilato de metilo que faz o cheiro do óleo essencial de gualtéria, pois ele contém mais de 90% desta molécula.

O eugenol e seus derivados com odor metálico, tais como o eugenol de metilo e o iso eugenol de metilo, cujas emanações especiadas são como um buquê de lírios que poderiam encher toda uma salacom seu cheiro.
 O benzoato de metilo reitera a importância desta flor entre flores, uma molécula presente no óleo essencial de ylang-ylang.

foto de jayeshp912
As lactonas, como a delta nonalactona e a lactona de jasmim, enriquecem a paleta da tuberosa com notas cremosas de leite de côco. Nas notas de base, emergem o antranilato de metilo e o indole. As moléculas de pele são o elo entre a flor e o animal. Ao crepúsculo, elas se manifestam mais profundamene nas flores sem cor que chamam os insetos da noite. A fertilização desta senhora flor é noturna. É feita pela traça Sphinx, e algumas espécies de beija-flor, que aplica seu probóscide para chegar ao suco no fundo dos tubos florais.

Serguey: Regressemos à história. Qual é a história da Tuberosa? É verdade que a Tuberosa foi trazida para o Velho Mundo desde a América do Sul com batatas e tabaco? Qual é a região nativa da Tuberosa polianthes, e quais são as principais regiões que cultivam a Tuberosa atualmente?
 
Pierre: A Tuberosa é endêmica na América Central e no sul do México. A flor chegou à Índia via Filipinas. A partir desta migração, duas outras rotas foram traçadas para a Europa. 
Uma delas através de Espanha para o Languedoc nop sudoeste da França e a outra através da Pérsia, viajando pela Liguria até Provença. A Tuberose foi introduzida em 1632 na Provença por RP Théophile Minuti.
campo de tuberosas, foto de mmmavocado
Muito antes de o nome botânico Tuberosa polianthes, ela se chamava Hyacinthus indicus tuberosa radice em 1601, literalmente "jacinto da Índia." Hoje, literalmente significa "flor das cidaes." O termo "polianthes” vem do grego polis que significa "cidade" e anthos, "flor." O nome de seu gênero Tuberosa caracteriza a raiz carnuda e tuberosa. A Tuberosa é da família dos agaves, o gênero engloba um total de 13 espécies e cada uma delas é mais ou menos fragrante. Hoje em dia, a tuberosa é cultivada essencialmente em Marrocos, nas Comores, Índia e China onde é processada.
photo by mmmavocado

Serguey: Eu li que as moças solteiras estavam proibidas de chegar perto dos campos floridos de Tuberosa na Índia, pois isso poderia fazer surgir “pensamentos impuros.” Conhece outras lendas sobra a Tuberosa?
 
Pierre: A muito fragrante tuberosa tem entrado em muitas lendas e histórias que revelam sua natureza enfeitiçadora. A história mais famosa de que me lembro se passa durante o renascimento italiano, em que era proibido às moças solteiras caminhas pelos jardins onde a tuberosa exercia seu poder erótico e intoxicante, para que elas não sucumbissem ébrias aos homens enlouquecidos pelo erótico aroma. Se o absoluto de jasmim revela a alegria nos rostos das pessoas que o cheiram, era dito que uma mulher que exalasse o cheiro da tuberosa causava sensações próximas do orgasmo.
Longe do erotismo romântico, conheço outra história escrita pelo cartoonista belga Peyo (Pierre Culliford), no comic The Purple Smurfs. Para salvar seu povo da maldição da mosca chamada Bzz, o Papa Smurf mistura em seu laboratório um monte de preparações até encontrar o perfeito antídoto: pólen de tuberosa.

Serguey: Quando é que se começou a cultivar a tuberosa?
 
Pierre: Em 1530, um missionário francês importou do México os primeiros bolbos de tuberosa, e secretamente os cultivou no jardim de um mosteiro perto de Toulon. A Tuberosa foi desenvolvida depois em Languedoc, na Ligúria italiana e na Provença, ao longo da segunda metade do século XVII, para artesãos de luvas, mercadores e boticários.
photo by Gary Soup

Serguey: Em que outras áreas tem sido usada a planta e suas partes? Ela é útil apenas em perfumaria, ou tem outras utilizações, como na medicina, aromaterapia, rituais, cerimônias religiosas e agricultura?
 
Pierre: A flor de tuberosa é tóxica e imprópria para consumo como o lírio, o lírio do vale ou o narciso. Duas variedades de Polianthes tuberosa são usadas. A “Tuberosa Usual” é usada na perfumaria e tem melhores caraterísticas organoléticas.
 Outra variedade da flor, chamada “tuberosa pérola” é usada em decorações florais. Na América Latina, a tuberosa pérola é parte importante de buquês de noiva e é depositada na entrada da casa da noiva. É cultivada em jardins interiores e pátios por causa de sua fragrância.

Algumas histórias dizem que os Aztecas cultivaram a tuberosa pelo seu chocolate, a bebida dos deuses—uma afrodisíaca mistura de grãos de cacau, vagem de baunilha e chili. Hoje, os profissionais dos aromas a usam com parcimônia para revelar notas frutadas como o aroma de morango.
 Na Índia, as mulheres fazem grinaldas e colares desta flor chamados Maalai como oferendas nos templos. O concreto de Tuberosa faz parte da composição de muitas misturas de incenso e cosméticos.

Serguey: Quais são as diferentes tecnologias de produção do absoluto de tuberosa?
 
Pierre: Há uns tempos a prática mais usada era a técnica de enfleurage a frio, que é capaz de extraír o óleo fragrante das mais delicadas flores que não toleram calor, tais como o jasmim, o junquilho e nossa preciosa tuberosa. No processo, as flores de tuberosa eram mantidas numa mistura de gorduras animais por 72 horas (comparadas com as 48 horas para o jasmim, cujas flores são mais tenras e morrem muito depressa). Esta técnica tradicional era morosa e entediante.
Hoje em dia, os métodos de extração evoluíram preservando o frágil perfil olfativo da planta. O concreto é obtido por extração de hexane a partir de flores frescas acabadas de colher. A partir deste concreto é extraído o absoluto com etanol ou processado por extração supercrítica de CO2.

Serguey: Ainda alguém faz enfleurage de tuberosa—na França, índia ou América?

Pierre: Que eu saiba, existe um produtor independente em Grasse que ainda pratica a enfleurage, mas confidencialmente e de forma experimental. Esta técnica era específica da cidade. Não sei se já foi exportada para outros países.

Serguey: Quais são as propriedades naturais da flor e de seu absoluto?
 
Pierre: As propriedades naturais da flor e de seu absoluto são anti-espasmódicas e anti-inflamatórias. A agradável fragrância e os vários químicos têm efeitos relaxantes no cérebro, nervos e músculos. A tuberosa acalma a alma e alivia o estresse, a tensão, ansiedade, depressão, fúria, etc. A flor é favorável ao desenvolvimento da intuição e à resolução de problemas.

Serguey: Pode nos contar a história da Tuberosa na perfumaria? Quando começou seu uso na perfumaria, em especial na perfumaria francesa?
 
Pierre: O absoluto de Tuberosa e os componentes sintéticos da tuberosa têm sido usados no passado em altas fragrâncias. L’Oeillet du Roys de Houbigant, um perfume de cravo do início do século XX, continha uma grande percentagem desta matéria-prima. Entre outras fragrâncias antigas contendo tuberosa estão Tabu de Dana e Je Reviens de Worth, ambas criadas em 1932.

Serguey: Quais são os melhores exemplos de perfumes de Tuberosa, em sua opinião? Toda a gente sabe do Fracas de Robert Piguet, mas houve outras excelentes Tuberosas no passado?
 
Pierre: Adquiri como código de memória, gravado em minhas memórias olfativas,Carnal Flower de Editions de Parfums Frederic Malle. Sua compositora, Dominique ROPION, cujo estilo de composição é muito rico, combinou eucalipto, muitas vezes usado na perfumaria técnica, numa overdose de absoluto de tuberosa.
 Serge Lutens eChristopher Sheldrake acentuam o salicilato de metilo em Tubereuse Criminelle.Fracas de Robert Piguet continua sendo a referência na memória coletiva da perfumaria. Este arquétipo criado por Germaine Cellier conseguir jogar com seu marketing para nos fazer esquecer o primeiro soliflor com o nome desta flor: Tubereuse de Le Galion, que foi composto em 1939 por Paul Vacher tendo assinado mais tarde Miss Dior. Este perfumista exacerbou as facetas de cânfora e mentol do extrato de tuberosa com uma frescura verde de eucalipto e jacinto. Nada vem do nada, o que existe nem sempre existiu, tudo é transformado. Não existem cheiros bons ou ruins ... existe odor. O escatológico civet, um gato selvagem, pode revelar jasmim. Tudo é uma questão de dosagem... tudo é uma questão de harmonia.

Serguey: Pode nos dar uma pequena fórmula para um perfume de Tuberosa para fazer em casa?
 
Pierre: Existe uma pequena fórmula que se pode encontrar em Flower Oils and Floral Compounds in Perfumery de Pajaujis Anonis—Perfumer & Flavorist Allured Publishing.
 Se chama Tuberosa # 2, a fórmula tem um total de 528 unidades [de medida]. Eu prefiro fórmulas que levam a um denominador comum, como 1000 unidades, mas esta não é uma fórmula minha.
300 Aurantiol
80 Álcool Benilo
35 Salicilato de benzilo
25 Álcool Fenil Etílico
25 Linalol
15 Álcool Cinâmico
15 Salicilato de metilo
10 Acetato de benzilo
10 Aldeído Alfa Amil Cinâmico
8 Iso Eugenol
2 Vanillina
2 Aldeído C12 MNA
1 Óleo de laranja doce sem terpenos 10%

Serguey: Caro Pierre, obrigado pelo seu tempo e pelos conhecimentos que partilhou com os leitores do Fragrantica!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Verde Esperança


por:
 Elena Vosnaki

"Fresco e cortante como grama cortada, explode com o aroma verde do gálbano, um óleo extraído de uma erva iraniana," escreveu Michael Edwards acerca de Vent Vert de Balmain, um dos protótipos das "fragrâncias verdes" que surgiu na perfumaria em 1945, composto pela perfumista pioneira Germaine Cellier. "Mas os acordes de Vent Vert provaram ser demasiado extremistas para serem populares," conclui ele.
Verde ... uma palavra, mil imagens.
Entre todas as famílias de fragrâncias, apenas as "verdes" são classificadas segundo uma conotação visual, especificamente uma cor. Poderíamos argumentar que a cor desempenha um papel importante na percepção das fragrâncias: "noir" ou negro conota um sentido de perigo noturno, de objetos invulgares e de preço incalculável ou sedução; os orientais especiados são rotineiramente embalados em caixas vermelhas ou castanhas que evocam os materiais associados com as suas maquilhagens e os exóticos artefactos do Leste e texteis nos quais eles se inspiram; os aromas marinhos vâm em frascos azuis que relembram a cor do mar que lhes serve de referência.

Mas o verde é uma categoria em si porque o cheiro corresponde categoricamente de tal maneira que não há outra forma de "visualizá-lo": folhas quebradas, grama aparada, caules tenros retendo o orvalho, jovens rebentos lutando pelo crescimento, agulhas de pinheiro frescas no ar da floresta ... há algo nas fragrâncias verdes que faz com que o ser urbano mais convicto sinta o chamamento da natureza, dos espaços ao ar livre e da liberdade de uma existência vivida de forma intemporal, em uníssono com a Terra. Hoje em, dia com a ascenção do Movimento Verde, estes aromas parecer ser particularmente atuais.
 
Os aromas verdes não são necessariamente todos do tipo "terra mãe", cantando "om," vestidos em roupas feitas à mão. Eles podem ser refrescantes, animados, até mesmo atrevidos! Etiquette Bleue de Parfums d'Orsay é um perfume vivaz e cítrico que é sublinhado por verduras para resultar numa ambiência herbácea divertida e clássica. O de Lancome é tão fresco como o amanhã, com a sua embalagem geométrica (nas palavras de Susan Irvine "reminiscente de papel de parede dos anos 1960") denotando uma sensibilidade moderna; notas de manjericão, petitgrain, rosmaninho, hamamélis e vetiver dão um caráter decididamente verde às notas hesperídicas florais que falariam de uma simples colónia. As fragrâncias verdes pode também tender a serem mais sofisticadas, pegando facetas das classificações fougere e chypre: Koto de Shiseido, Eau Parfumee au The Vert de Bvlgari, Safari by Ralph Lauren, Niki de Saint Phalle e Eau Sauvage de Dior são todos eles exemplares à sua maneira e todos eles têm elementos "verdes" perceptíveis.

Certos ingredientes naturalmente sacodem a escada da verdura: o gálbano, já mencionado em relação a Vent Vert, mas também tendo um papel "verde" em Chanel No.19, um floral verde; as agulhas de pinheiro (haverá outra forma de pensar no clássico italiano Pino Silvestre sem ser como intensamente verde?); a grama cortada, folhas de limoeiro, petitgrain e a eau de brouts (um subproduto da destilação da árvore Citrus aurantium), as folhas de violeta (em oposição às flores de violeta), as folhas de menta, a hortelã, a angélica, o absinto, todas estas notas emprestam aquele toque esmeralda que torna uma composição ao mesmo tempo brilhante e fresca.
 
Talvez o caso mais enigmático de todos seja as fragrâncias de vetiver. Elas cheiram a "verde" e vêm invariavelmente em caixas verdes. Mas a essência pura em si é castanha escura, o seu perfil olfativo é um aroma amadeirado; certamente fresco, mas muito mais "terroso" do que de folhagem, apesar de o vetiver seja uma erva exótica, como o gálbano.
A solução para o puzzle é simples, confirmando que muito daquilo que tomamos como certo vem de razões outras que não derivam das olfativas: o primeiro vetiver assumido no mercado foi Carven Vetiver em 1957—apesar de a Creed insistir que o seu apareceu em 1948—e a embalagem era verde claro. Daí em diante, todos os vetivers, Guerlain, Givenchy e etc se vestiram com este "fato" verde!
Os perfumes verdes podem ser considerados unisexo, ainda que muitas mulheres os considerem mais masculinos ou desportivos. Mas pensemos na supermodelo "The Body" Elle McPherson, uma lenda dos anos 1980 e início dos 1990 e ainda uma força poderosa: a sua fragrância pessoal tem sido sempre o masculino da Guerlain Vetiver. Pensemos em Sycomore de Chanel também: o conceito era oferecer um perfume classicamente classificado como masculino (um vetiver) para mulheres compradoras da sua linha Les Exclusifs. Ou consideremos que a super-sexy Christina Hendricks (famosa pelo seriado Mad Men) é uma fã do verde suave de Premier Figuier de L'Artisan Parfumeur! O que me faz chegar a um outro assunto final.
Os perfumes de figo em particular, como o acima mencionado Premier Figuier,Philosykos, Figue Amere ou A La Figue entre tantos outros, são considerados "verdes" por causa da verdura das suas folhas, a sombra da árvore, a seiva e as cascas verdes que são recreadas na perfumaria, não pelo cheiro do fruto; mas tecnicamente estes aromas pertencem à família dos amadeirados. O verde é muito relativo. E mais do que qualquer outra subcategoria ele tem a ver com o nosso sentido da visão, assim como com as nossas associações percetivas, tanto quanto tem a ver com o nosso sentido do cheiro ...
 

Mimosa e Cassie


Pequenos ponpons amarelinhos, bolinhas peludas e fofinhas, pequenos rebuçados do outro mundo que trazem o aroma da infância e o abraço carinhoso da mãe. A mimosa é um milagre da natureza, uma árvore com uma aparência única e um cheiro como nenhum outro. Ainda que tenha visto frequentemente estas pequenas bolinhas amarelas despontando de um raminho verde de folhas em muitas lojas de flores, estas aparentes mimosas não são, na realidade, mimosas, são acácias, a planta da qual é recolhida a essência de cassie. As verdadeiras mimosas não têm florações amarelas, embora as duas espécies sejam parentes do mesmo clã..
Mimosa  pudica                                                            Acácia (cassie)
A acacia é este enigma: um componente floral, aparentemente inocente, mas com  nuances de calor humano, reconfortante e no entanco com uma faceta quase demasiado íntima se lhe prestar a atenção devida. Muitas acácias têm flores flores fragrantes, mas apenas duas espécies, Acacia decurrens var. dealbata e A. farnesiana são utilizadas em perfumaria, sendo a segunda a mais celebrada.
O absoluto de flor de cassie flower é extraído da flora do arbusto da Acacia Farnesiana, que foi nomeada a partir da Villa Farnese onde a plante semi-tropical foi transplantada por razões ornamentais. A planta ganhou o nome a partir de Odoardo Farnese (1573–1626) da notável família italiana que sob o patronato do Cardeal Alessandro Farnese, manteve alguns dos primeiros jardins botânicos da Europa em Roma nos séculos XVI e XVII, os Jardins Farnese em Carparola. Mais tarde tornaram-se famosos por importarem a acácia para Itália das Caraíbas e da América Central, daí o nome da planta ter pegado.
A cassie está entre as essências mais esotéricas, a sua riqueza de mel (com uma nuance reminiscente do anis) quase evocativa de aromas íntimos de corpos em cópula. A voluptuosidade e carácter animal por debaixo das suas doces flores está muito bem sublinhada no fenómeno de culto de Une Fleur de Cassie de Dominique Ropion para a linha de Frederic Malle; um diabo de fragrância sexy para alguém que sabe quão atraente pode ser o enigmático. Em Guerlain Après L’Ondée a cassie aquece o delicado bouquet de heliotrópio, que açberga a frieza da tímida violeta no topo, e complementa-a pela sua faceta análoga à cetona de violeta, naturalmente presente no seu absoluto; é a promessa da luz do sol e a esperança após as chuvas da primavera. Caron Farnesiana tem talvez a mais rica expressão no seu molde clássico; de geléia, pó e nuances de amêndoas.
 
Dois tipos de comummente chamadas "mimosas" são mais frequentes: Acacia pycnantha (literalmente "de flores densas") é o símbolo floral da Austrália, enquanto a Acacia dealbata (vime) é uma variante similar muitas vezes presenteada às mulheres e referida como "mimosa"; é aquela que provavelmente mais pessoas associam à mimosa.
A variante chamada Mimosa pudica é chamada de "planta tímida," porque fecha as suas folhas para dentro quando tocada e é de facto uma "verdadeira" mimosa. Tecnicamente a mimosa pode ser distinguida do grande género parente, Acácia e Albizia, sendo que as suas flores têm 10 ou menos estames.
Albizia (na foto abaixo)
O aroma infantil, quase inocente da mimosa pode ser usado com grande efeito em composições florais, como em Champs Elysées de Guerlain, onde potencia o bouquê de flores brancas, ou em Kelly Calèche de Hermès, onde faz lembrar o timbre floral das  peles tratadas nos cofres da famosa produtora de selas que é a Hermès.Amarige de Givenchy é outro caso famoso de acentuar a mimosa numa composição, desta vez ensanduichada entre notas intensas que criam uma mensagem muito poderosa, quase avassaladora. No ponto oposto do espectro, Goutal Mimosa é diáfano, com uma nota transparente de pêssego e uma camomila amanteigada sobre flor de laranjeira que faz lembrar champô de bebé.
Mas o cheiro da mimosa em flor é  também elusivo, com perfumes que o utilizam como um acento em vez do papel principal. Talvez a única rendição verdadeira seja aquela da  L'Artisan Parfumeur, em que as facetas leitosas e violetas de uma verdadeira mimosa cantam com melodias sinceras de uma cotovia numa manhã de primavera.
Fragrâncias que incluem mimosa/cassie:
Acca Kappa Mimosa
Annick Goutal Le Mimosa
Ayala Moriel Les Nuages de Joie Jaune
Calypso Christiane Celle Mimosa
Caron Farnesiana
Chanel No.5
Creed Aubepine Acacia
Czech & Speake Mimosa
DSH Perfume Mimosa
Estée Lauder Private Collection
Fragonard Mimosa
Frederic Malle Une Fleur de Cassie
Givenchy Amarige
Amarige Mimosa de Grasse Millesime 2005
Givenchy Amarige Harvest Mimosa 2007
Givenchy Amarige Harvest Mimosa 2009
Guerlain Aqua Allegoria Tiare Mimosa
Guerlain Après L’Ondée
Guerlain Champs Elysées
Hermès Calèche Fleurs de Méditerranée
Hermès Kelly Calèche
Halle Berry Halle
L'Artisan Parfumeur Mimosa pour Moi
L'Erbolario Mimosa
L'Occitane Voyage en Mediterranee Mimosa de l'Esterel
Molinard Les Fleurs: Mimosa
Parfums de Nicolai Mimosaique
Yves Rocher Pur Desir de Mimosa

Tangerina


por:
 Marina Milojević

A tangerina é uma fruta cítrica suculenta também conhecida como mandarina. O nome botânico desta planta tropical e sub-tropical é Citrus reticulate. As tangerinas são originárias da China, onde elas são historicamente vistas como símbolo de boa sorte, com um importante significado sacral nas celebrações do Ano Novo Chinês.
Atualmente, a tangerina é cultivada em todos os países da região do Mediterrâneo tal como nas regiões tropicais e sub-tropicais do mundo. Ela espalhou-se pela Ásia no século X, chegando à Europa no início do século XIX e tornando-se disponível nos Estados Unidos em 1882, quando seis frutos da tangerina "King" foram enviados de Saigão para a Califórnia.
Existem algumas variedades diferentes deste fruto e as mais populares são a Mandarina (da China), Tangerina (de Tânger, cidade no Norte de Marrocos, onde as mandarinas foram importadas pela primeira vez da China), Dancy, Clementina e Satsuma (do Japão). No geral, as tangerinas são muito mais doces do que os seus parentes citrinos, mas o seu sabor varia de espécie para espécie e pode ir do muito doce ao quase picante ou azedo. As tangerinas distinguem-se pela sua casca laranja-claro que se retira facilmente, e segmentos internos carnudos cheios de suco de fruta adocicado.

Esta fruta é maioritariamente comida à mão, mas também serve de saboroso aditivo em saladas, pratos principais e sobremesas. O óleo essencial de tangerina, extraído da sua casca, é muito aromático e rico em sabor, e por isso é usado em doces, gelados, pastilhas elásticas, refrigerantes, licores e pastelaria.
 
Na medicina tradicional chinesa, a casca seca deste fruto é usada para regularizar o fluxo da energia vital, ou chi, que é um princípio ativo de todos os seres vivos. Os antigos filósofos naturais chineses usavam a casca para estimular a digestão saudável, tratar problemas abdominais e reduzir fleuma. No Ayurveda, as tangerinas são usadas para estimular o apetite, aliviar a sede, ajudar na descarca da fleuma, e prevenir distúrbios gastro-intestinais.
Na cultura tradicional chinesa, a forma e a cor das tangerinas simbolizam o Sol e conectam com o princípio yang, o positivo e gerador das forças da natureza. Por isso, as laranjas são símbolos do Novo Ano e das aguardadas mudanças positivas. Duas semanas antes do Ano Novo, plantas em vaso cheias de tangerinas são colocadas à venda nos mercados de flores para fazerem uma decoração festiva em casa durante esta época. Em Cantonês, as tangerinas têm o nome de gut, que pode também ser traduzido como “a árvore da sorte”. Segundo a antiga tradição do Ano Novo, os chineses colocam um par de tangerinas, juntamente com envelopes vermelhos com dinheiro, junto da almofada de cada criança em casa, numa caixa com os doces do Ano Novo, e sobre o recipiente do arroz. Eles acreditam que isto trará boa sorte à casa e aos seus residentes.
O óleo essencial de tangerina é igualmente valorizado na produção de perfume onde desempenha o papel de excelente aditivo em composições florais e colónias. O óleo essencial de tangerina é distinguido numa composição fragrante pelo seu traço sensual e floral, como o neroli. Este aroma edificante e sensual mistura-se bem com outros óleos cítricos tal como com óleos de especiarias como noz-moscada, canela e cravo. Em termos de aroma, é muito doce, frutado e cítrico com um leve toque floral. O seu cheiro é muito relaxante e calmante, indicado para fragrâncias místicas e fantasiosas. O cheiro da tangerina domina as notas de topo na composição gourmet floral de Viva La Juicy, e desempenha o papel principal no perfume cítrico aromático Royall Fragrances Royall Mandarin fragrance for men.
Fragrâncias com notas de tangerina:

Para viciados em chocolate


por:
 Fragrantica

Antes de ele se derreter na nossa boca e nos dar a sua energia e otimismo, o chocolate tem um longo caminho a percorrer a partir do momento em que ainda é uma vagem verde que cresce numa árvore tropical.


A história do cacau se cruza com a história da antiga civilização americana. Na América Central as árvores de cacau eram cultivadas pelos Maias e depois pelos Toltecas e pelos Aztecas. A palavra "chocolate" deriva da palavra ‘xocolatl’ que é originária da linguagem Nahuatl, um dialeto Azteca, e significa 'água amarga''. a palavra "cacau" vem da palavra "kakaw" que os Maias adotaram das civilizações precedentes. Os europeus não sabiam da existência do cacau até 1502 - 10 anos depois de Colombo descobrir a América.
 
O fruto da árvore do cacau, a vagem de cacau, pesa 200 - 800 gramas. Demora 6 meses até que o fruto possa ser colhido. Enquanto as vagens amadurecem, a sua cor muda de verde para amarelo e laranja. Uma árvore produz cerca de 30 vagens cada uma delas contendo cerca de 30 - 40 sementes: os grãos de cacau. Existem várias espécies de cacau. Criollo, que representa 3% da produção mundial de cacau, é o de mais alta qualidade e Forastero, que representa 85% da produção mundial de cacau, e é o mais comum.

COLHEITA
Os grãos de cacau e a polpa branca são extraídos da vagem madura de cacau antes de serem postos a fermentar cobertos com folhas de bananeira. O processo de fermentação de duas semanas é de suma importância uma vez que potencia o sabor e aroma do cacau.

Uma vez fermentados os grãos de cacau contêm aproximadamente 60% de humidade que tem de ser reduzida a 7.5% pois altos níveis de humidade causam bolor e podem danificar a colheita. Por isso os grãos de cacau fermentados secam ao sol após o processo de fermentação. E depois disso os grãos de cacau estão prontos para seguirem para as fábricas onde serão processados.
 
Nas fábricas os grãos de cacau são limpos e tostados a baixa temperatura. O tostar dos grãos é o que lhes dá o seu característico sabor e cheiro que todos nós conhecemos e amamos. Uma vez arrefecidos os grãos, eles são refinados, ou seja retiradas as cascas e o germen, através de máquinas. O cacau limpo é então moído até chegar a uma pasta chamada licor de chocolate que é o principal componente do chocolate. A pasta de cacau consiste em manteiga de cacau (a gordura natural do cacau) e uma substância seca. Quando a manteiga de cacau é separada da pasta, a substância seca é moída até chegar ao pó de cacau.



O chocolate é feito de licor de chocolate. Açúcar, manteiga de cacau, agentes emulsionantes e baunilha são adicionados ao licor de chocolate. Então, o chocolate líquido é refinado e temperado para perfeita consistência e aroma. O cheiro do chocolate negro é encorpado, quente e ligeiramente especiado. O chocolate branco é feito de manteiga de cacau, açúcar e leite em pó e por isso o seu aroma não é tão intenso. É menos especiado, mas cremoso e suave. 
 

Aromas irresistíveis de cacau podem ser sentidos em:
Cacao by Aftelier, Pure Cacao by Monotheme, Amour de Cacao by Comptoir Sud Pacifique e algumas fragrâncias de Demeter e CB I Hate Perfume.

O aroma rico e encorpado do chocolate negro potencia muitas fragrâncias como: BVL Notte Pour Femme e Pour Homme, Coney Island by Bond No 9, Angel by Thierry Mugler e Extraordinary by Avon. Chocolate e avelã são notas importantes em Missoni e Chocolovers, enquanto o chocolate branco aparece em Omnia by Bvlgari e Provocative interlude by Elizabeth Arden.

Gálbano: Amargo, Verde, Acre



O que é que as aberturas tonificantes e crepitantes de fragrâncias clássicas como  
Chanel No.19, vintage Vent Vert de Balmain, Piguet Bandit eau de parfum e Cristalle de Chanel têm em comum? Gálbano, uma matéria tem uma personalidade tão intensa que, como um vilão inesquecível de um filme, acaba por projetar a sua sombra de tal forma que pode facilmente obscurecer e dominar tudo o resto. Se a Bruxa Malvada do Oeste no Feiticeiro de Oz tivesse um perfume, ele poderia ser este cheiro crú, verde e vegetal que combina com a sua tez esverdeada!por: Elena Vosnaki
Ao contrário da bruxa, o gálbano não é muito conhecido entre os amantes de perfumes. O que é? O que não é? O que é que ele faz e como? O equívoco mais comum acerca do gálbano na composição de perfumes deriva do fato de ele ser rotineiramente mencionado como nota de topo; de fato, o gálbano é uma resina pegajosa originária de uma planta, tal como o ládano, e faz parte dos ingredientes mais tenazes numa fórmula no coração e na base. Mas é o seu intenso amargor com tonalidades verdes, como uma elixir conífera super-concentrado no laboratório de um alquimista louco, que se sobrepõe, desde o fundo ao topo e que imediatamente pica no nariz com uma capacidade de limpeza que apenas a amónia consegue suplantar.
O choque é esperado. Pegue em alguém não familiarizado com perfumes e deixe que cheire o aroma inicial de Chanel No.19; o mais provável é que essa pessoa nem se aguente até ao final da fragrância, tal é a sensação desagradável perante o estalo acre e intenso, para o nariz pouco treinado. Não é coincidência que a planta da qual ele deriva deva a sua etimologia ao Latim ferule que se refere a uma vara de professor. É um tapa na cara e concretiza aquela qualidade fresca, e dura aos perfumes em que participa. No entanto, também é valoriado pelas suas qualidades fixativas: como muitas das moléculas mais pesadas com menor volatilidade, ajuda a segurar os ingredientes mais efémeros e à medida que se expande numa sala conseguimos sentir o ar se tornar mais doce e confortável com nuances balsâmicas e amadeiradas.
A Chanel costumava usar uma variedade superior de gálbano iraniano, o que ajudou a formar a nota de topo de Cristalle e No.19. Na versão modernam nais orientada à juventude de No.19 Poudre a mordida do gálbano foi mitigada para não assustar tanto.
BOTÂNICA E HISTÓRIA
O óleo é derivado dos pés via destilação a vapor do resinóide que vem dos trincos e raízes da planta Ferula galbaniflua, que historicamente crescia na antiga Mesopotâmia e depois Pérsia. As cabeças em flor fazem lembrar angélica ou funcho, com os quais partilha da mesma força de caráter. A resina é naturalmente produzida quando a planta é ferida, num mecanismo de cura da natureza. Mesno dentro da mesma planta existem variações: o Levante e o Persa, este último sendo mais suave e e mais evocativo da terebintina.
Hoje em dia a planta ferula cresce na Turquia, Líbano, Afeganistão e Sul da Rússia, ao longo do Cabo da Boa Esperança e no Irão, claro, correspondendo à enorme procura por parte da indústria da perfumaria. Mas na antiguidade, a resina do gálbano estava entre as substâncias mais valorizadas em misturas de incenso, esse velho ritual de comunicação com os deuses. No saber hebraico o seu caráter acre simboliza o amergor da culpa do pecador perpétuo, que não se arrepende; e mesmo assim é incluído entre as especiarias doces, estoraque e onyha, no incenso do Senhor. Nas cerimónias egípcias, onde o gálbano era importado e pago muito caro, representava uma entidade benevolente. Era mencionado no "metopium," como comprovado pelo escritor grego e herbalista Dioscorides no seu De materia medica. Os gregos viam a matéria com um olhar prático, graças às suas propriedades medicinais; o pai da medicina, Hipócrates, recomenda-o para uma plêiade de maleitas, desde dores musculares a dificuldades respiratórias.
ATRIBUTOS AROMÁTICOS E COMPOSIÇÃO EM PERFUME
Cheirar a pasta espessa, granulada e amarelada assim como o óleo límpido produzido a partir dela é uma revelação: acre, estupendamente verde, um tornado de terebintina e um aroma terroso, turfoso, quase mastigável que se torna mais almiscarado, mais espessamente resinoso ao longo do tempo. É mercurial! Em diluição em álcool o "bouquê" abre e faz lembrar agulhas de pinheiro esmagadas ou ervilhas com tons de limão, muito fresco, vegetal e cortante, como estalar folhas frescas entre o polegar e o indicador. A resina persiste por oito horas ou mais.
Os constituintes químicos do gálbano são monoterpenos (α e β pinene), sabineno, limonene, undecatriene e pirazinas. O óleo puro é, contudo, frequentemente adulterado com óleo de pinheiro que pode ser a razão pela qual alguns lotes e importações cheirem mais a agulhas de pinheiro verdes e esmagadas do que outros.
O fato de o gálbano ser tão poderoso traduz-se em duas significativas considerações para os perfumistas: 1. Eles devem doseá-lo com muito cuidado; 2. Eles devem misturá-lo preferencialmente com ingredientes menos complexos e mais cândidos ou frescos (como hesperídios ou rosas) para conseguir um melhor resultado. Naturalmente, as essências com um cheiro "esverdeado", como o lírio do vale, o jacindo ou o narciso, fazem também bons "casamentos" com o gálbano.
FRAGRÂNCIAS COM GÁLBANO QUE CAPTAM OS SENTIDOS
Os melhores perfumistas, como Jacques Guerlain que o usou como como uma misteriosa nota de coração no oriental Vol de Nuit, podem emparelhar o gálbano com essências voluptuosas e inebriantes (como o ylang-ylang, jasmim, tuberosa, cardamomo ou incenso) ou em Sous le Vent onde lhe trouxe muita da sua frescura. A tensão na versão clássica parfum de Must de Cartier reside na justaposição da verdura do gálbano (coadjuvado pelo narciso, que partilha uma faceta verde oleosa) com o coração atalcado e quente de resinas (opoponax, benjoim, ládano e baunilha).
Em Vent Vert (que significa "vento verde") de Balmain, introduzido em 1945, o gálbano ganhou o papel principal e foi responsável pela moda das fragrâncias "verdes"; a perfumista Germaine Cellier, em vez de usá-lo para complementar outras notas, tornou-o em protagonista, dando-lhe o reinado e abrindo caminho para uma nova vaga de fragrâncias de cheiros mais "naturais". As fragrâncias "verdes", evocam o ar livre e a natureza muito mais do que a intimidade sofisticada e a densidade animal dos chypres. Apesar disso,o gálbano está também claramente presente em muitos chypres e fougeres (o clássico Ma Griffe de Carven, Parfum de Peau, o clássico Lauder Private Collection, o extracto vintage de Miss Dior,Cabochard vintage, Bandit com o seu jeito brusco de cortar à faca, Givenchy III, o moderno Private Collection Jasmine White Moss de Lauder) e florais amadeirados (o acima mencionado No.19, Fidji de Guy Laroche, Deneuve de Catherine Deneuve,Patou 1000, Le Temps d'une Fête de De Nicolai, Bas de Soie de Lutens, Silences by Jacomo), e até em florientais! (só para mencionar alguns, Boucheron Femme, Comme des Garçons de Comme des Garçons, Givenchy Ysatis, Moschino de Moschino, e o vintage Magie Noire)
Outras fragrâncias que exaltam o seu caráter verde são Bill Blass Nude, Ralph Lauren Safari, Chloe Eau de Fleurs Capucine, Issey Miyake A Scent, Fleur du Matin e Terre de Bois, ambos de Miller Harris, Infusion d'Iris de Prada, Roma per Uomo de Laura Biagotti, Borneo 1834 de Serge Lutens e Blue Jeans de Versace.
Ref: LAWRENCE, B.M; "Progress in Essential Oils" 'Perfumer and Flavorist' August/September 1978 vol 3, No 4 p 54 McANDREW, B.A; MICHALKIEWICZ, D.M; "Analysis of Galbanum Oils". Dev Food Sci. Amsterdam: Elsevier Scientific Publications 1988 v 18 pp 573 – 585