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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Perfumes: notas, estrutura e natureza aromáticas

Um mesmo perfume produz efeitos sensoriais diferenciados em cada pessoa

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Perfumes
Um mesmo perfume produz efeitos sensoriais diferenciados em cada pessoa 
fabricação de perfumes, além de exercitar a criatividade e sensibilidade, representa um segmento econômico que movimenta bilhões de dólares em todo o mundo. A origem do aroma é concreta e material, mas o fascínio que provoca tem origens em fatores imateriais e abstratos. Um mesmo perfume produz efeitos sensoriais diferenciados em cada pessoa. Como acontece com a música, o perfume chega ao ser humano pelos canais físicos e materiais dos sentidos.
“Não existe argumento mais convincente do que a fragrância de um bom perfume. Por essa razão, seu comércio se caracteriza por venda de impacto, passional e imediata”, afirmam Francisco Marco Ferreira e Adriana de Souza, professores do curso Perfumaria – Sabonetes, Perfumes, Óleos, Sais de Banho, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

Originalmente, os perfumes eram produzidos pela queima de incensos. Os egípcios preparavam uma mistura de madeiras (estoraque, ônique e gálbano) finamente trituradas e aglutinadas com mirra e azeite de oliva. Essa mistura era queimada durante as cerimônias ritualísticas. Provavelmente, tratava-se da mesma composição usada pelos hebreus e relatada no livro de êxodo (30:1 e 2).

Mas foi na Índia e Arábia que surgiram os primeiros perfumistas medievais. O médico árabe, conhecido como Avicena, descobriu por acaso os princípios básicos da destilação a vapor, enquanto pesquisava poções medicinais com flores e madeiras aromáticas. Essa descoberta propiciou, mais tarde, não apenas a obtenção rápida de muito óleos essenciais, mas, sobretudo, a fabricação do álcool, conhecido no Século XVIII como espírito de vinho, utilizado até hoje na preparação de perfumes.

Notas aromáticas

Quem pretende fabricar perfumes deve, em princípio, familiarizar-se com a descrição olfativa das principais notas aromáticas. O critério é tão subjetivo quanto o adotado para descrever as cores e suas nuanças. A forma utilizada é a referência com a fonte natural cujo odor mais se aproxima da nota aromática descrita. Tentaremos descrevê-las da maneira mais simples possível. Vejamos:

- Aldeídica : Nota insinuante, típica de perfumes finos, que reproduz o cheiro floral- etérico dos aldeídos graxos, lembrando o de flores como violeta, lírio, acácia, arruda, jasmim e flor de laranjeira;
- Amadeirada : Aroma característico de vários tipos de madeira seca, como sândalo, cedro, carvalho, copaíba, peroba e jacarandá;
- Animálica : Odor característico de secreções glandulares de animais. Divide-se em dois tipos: almiscarada, com odor de almíscares naturais (civete, âmbar gris, castóreo, entre outros) e couro, na qual predomina o cheiro de peles de animais e couro curtido;
Balsâmica : Mistura de notas amadeiradas e coníferas;
Cítrica: Cheiro de frutos das rutáceas (limão, laranja, lima, bergamota, entre outros);
Condimentada: Aroma característico de especiarias do tipo canela, cravo, pimenta, cominho, entre outros;
Conífera: Odor característico de árvores coníferas como tuia, cipreste e pinheiro;
Doce : Nota que reproduz o aroma de substâncias doces (mel e açúcar);
Floral: Cheiro de flores silvestres ou cultivadas. Faz-se distinção entre: floral simples, quando possui aroma definido, e floral buquê, quando possui aroma misto de várias flores;
Fresca : Aroma suave e refrescante, que lembra o odor de menta, do ar puro e da água ozonizada;
Frutada : Odor de frutas doces, maduras ou verdes, como banana, maçã, pera, pêssego, entre outros;
- Herbal : Aroma verde-amadeirado, próprio das ervas medicinais ou chá;
Seca : Definida como ausência de doce, caracteriza-se pelo odor de pedra e de areia seca;
Tabaco: Nota amadeirada e condimentada, levemente doce, característica de fumo de corda e de cachimbo;
- Verde: Nota que reproduz o cheiro de grama, feno ou capim, recém-cortados, misturado com ervas frescas como: salsa, coentro, manjerona, manjericão, entre outros.

Perfumes
As composições aromáticas (essências), utilizadas na fabricação de perfumes obedecem a uma estrutura padrão 
Estrutura aromática

As composições aromáticas (essências), utilizadas na fabricação de perfumes obedecem a uma estrutura padrão, integrada por três partes distintas:

- Corpo do Perfume: Representado por uma mistura de especialidades aromáticas, denominadas bases, contendo enorme variedade de odoríferos naturais e sintéticos, as quais determinam a natureza do perfume: Floral, Oriental ou Chipre;
Fixação da Fragrância: É composta de odoríferos naturais ou sintéticos, de baixa volatilidade e com aroma mais próximo ao do corpo do perfume. Os fixadores evitam que o corpo do perfume e as notas de acabamento evaporem-se rapidamente;
Acabamento: constitui o toque final que os perfumistas conseguem com extratos florais absolutos e com odoríferos extraídos dos óleos essenciais puros. Esse acabamento confere ao perfume o aroma natural das flores e é responsável pela frescura, suavidade e harmonia aromática da fragrância.

Natureza aromática

Responsável pela principal fragrância do perfume, a natureza odorífera da composição aromática é classificada em três grupos clássicos, denominados famílias:

Floral: Possui corpo aromático predominantemente floral, com as seguintes notas de acabamento: aldeídica, doce, floral, fresca, frutada e verde. Os principais clássicos internacionais desta família, são: Anais Anais, Eternity, Tressor, Escape, Dioríssimo, Charlie, Beautiful, Safari, Dune, Chanel 5, Calandre;
Oriental: Possui corpo balsâmico, lembrando os antigos unguentos, com notas pesadas e potentes, em geral, com dois tipos de acabamento: âmbar e picante (condimentado). Os clássicos internacionais, que integram a família oriental, são: Poison, Opium, Must, Obsession, Joop, Samsara, Old Spice, Youth Dew, Egoist e Lagerfeld.
Chipre: é a família ou grupo que apresenta corpo cítrico-verde-amadeirado, com diversas notas de acabamento: animálica, cítrica, conífera (pinácea), floral, floral-almiscada, fresca, frutada, oriental e verde. Aqua Velva, Ma Griffe, Mis Dior, Halston, New West, Polo, Fahrenheit, Chaps e Stetson são os clássicos internacionais que mais se identificam com a família Chipre.


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